Seu Equipamento é Brinquedo? Depende!

É bastante comum encontrarmos nas empresas, computadores que deveriam possuir apenas determinados programas instalados e que deveriam estar dedicados a determinadas tarefas, possuirem dezenas (ou até centenas) de programas instalados. Programas que roubam processamento e memória, diminuindo a performance do equipamento e prejudicando, na maioria das vezes, todos os outros equipamentos e sistemas que dependem dele para executar suas tarefas. É o caso de computadores que executam, ao mesmo tempo, além do programa de gestão ou PDV, sistemas de segurança com suas várias imagens das diversas câmeras de vídeo, gravando constantemente as imagens no disco junto com estações de rádio on-line e ainda alguns joguinhos, para quando o operador estiver com “tempo livre”.

Vamos lá! Vou apelar para o bom senso e, se você for pai ou mãe assim como eu, vai entender bem o que eu quero dizer.

Imagine que, ao chegar em casa, percebe que seu filho de 4 anos encontrou a sua caixa de ferramentas e está se divertindo com o seu martelo, sua chave de fenda, seu arco de serra e se você demorasse mais cinco minutos para chegar ele já estaria com a sua furadeira ligada na tomada. Qual a sua atitude?

Aposto alguns tostões que você lhe daria uma boa bronca e depois, com certeza passaria um sermão sobre os perigos de se brincar com ferramentas. Você explicaria a ele que aquilo não é brinquedo, que aquilo deve ser utilizado somente para trabalhar, que a ferramenta deve ser utilizada por uma pessoa responsável e que saiba o que está fazendo pois pode ser perigoso e alguém pode ficar seriamente machucado. Certo?

Pois bem! Se suas ferramentas devem ser utilizadas para trabalhar, por quê os equipamentos de informática de sua empresa não possuem a mesma regra?

Computadores, impressoras, rede, internet (principalmente a internet) e todas essas maravilhas tecnológicas, existem no ambiente corporativo para facilitarem a vida e agilizar a tomada de decisões que, em muitos casos, são cruciais para definir a vida da empresa. Portanto, tais equipamentos são e devem ser vistos como ferramentas de trabalho e não com modernos videogames ou caixas de música.

Equipamentos que executam sistemas de segurança e gravação de imagens, por exemplo, devem ser equipamentos dedicados a essas tarefas devido ao alto uso do processador, memória e disco que são necessários. Equipamentos que executam servidores de dados, sistemas ERP ou sistemas PDV, também são equipamentos que devem ser dedicados a essas tarefas simplesmente pelo fato de que trabalham com os seus dados fiscais, financeiros e de seus clientes e, portanto, devem ser confiáveis em suas operações.

Quando isto tudo é executado junto com outros programas, ocorre que nenhum deles faz direito o que deveria ser feito.

Também, muitas empresas acabam tendo seus computadores danificados devido ao mau uso dessas ferramentas que, ao invés de estarem sendo utilizadas para gerar receita, acabam sendo infectadas por vírus, worms, trojans e outras pragas virtuais, provenientes de sites maliciosos, utilizados normalmente para o download de músicas, jogos, vídeos e outras coisinhas duvidosas.

Uma vez infectado, seu equipamento fica completamente comprometido. Programas param de funcionar ou passam a se comportar de maneira estranha, impressoras deixam de imprimir corretamente, sites e propagandas “esquisitas” são mostradas inadvertidamente. Com isso, a segurança de seus dados não pode ser garantida de forma alguma. Sem falar no número “infinito” de barras de “ferramentas” que, de repente (!), aparecem no seu navegador.

Você poderá ter senhas e/ou dados roubados por essas pragas virtuais, comprometendo a segurança de operações bancárias, por exemplo, para o pagamento de contas ou verificação de extratos em net-banking.

Sem contar que você, a esta altura dos acontecimentos, já foi subtraído pelo tempo tomado de seus funcionários, primeiramente, quando estavam “se divertindo” ao invés de trabalhando pelos interesses da empresa e, depois, pelo tempo que eles ficarão sem trabalhar pela falta da ferramenta, aguardando que o computador seja formatado, que os vírus sejam retirados, que seu backup (se possuir) seja restaurado, que o suporte reinstale os sistemas e recupere todo o seu ambiente.

Isto pode, realmente, levar alguns dias para que tudo seja recuperado e o prejuízo… é todo seu.

Estes são problemas novos que apareceram nos últimos tempos dentro das empresas devido à popularização da internet, do compartilhamento de arquivos, ao uso de redes sociais, de comunicadores instantâneos e outras tecnologias.

E como evitá-los?

A única forma de diminuirmos essas complicações é com a educação. Deve-se criar dentro da empresa, antes de mais nada, uma política de conscientização do uso dessas tecnologias e suas consequências. Preparando, treinando e orientando os colaboradores sobre seus direitos e suas responsabilidades.

As ferramentas devem ser utilizadas para aquilo que foram destinadas.

Quando usadas com responsabilidade e consciência, a empresa poderá utilizar essas tecnologias a seu favor, utilizando comunicadores instantâneos, redes sociais, estações de música on-line, notícias on-line e outras tecnologias para gerar negócios e melhorar os serviços prestados para seus clientes.

Por outro lado, jogos e outros aplicativos de uso pessoal e que não somam nada às necessidades da empresa (ao contrário, subtraem e causam prejuízos), devem ser utilizados em computadores particulares, dentro ou fora da empresa, mas que tenham sido reservados para este fim, evitando assim, os prejuízos que certamente causarão.

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Sobre o autor:

Autodidata em programação de computadores desde 1985, participa da engenharia, projeto e desenvolvimento de sistemas de automação de varejo desde 2001. É bacharel em Ciência da Computação pelo IMES-Catanduva.
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